Trilha Inca
Embora Cuzco seja uma cidade charmosíssima, aconchegante e linda, a verdade é que a razão pela qual 10 entre 10 turistas a visitam é ir até Machu Picchu…
Há basicamente 2 formas de chegar a Machu Picchu: uma é ir de trem, como eu fui; outra é botar a mochila nas costas e encarar a Trilha Inca, como fez a convidada especial do Idas e Vindas, a querida Eco-mília!!!
Depois dessa breve introdução, deixo vocês entregues ao saboroso relato da Emília - e aposto que muitos, como eu, vão “viajar” longamente aqui na frente da telinha…
Quando decidi fazer a minha viagem ao Peru, em 2003, eu tinha certeza que queria fazer a Trilha Inca. Não tinha muita certeza do que iria encontrar, do nível de dificuldade, mas achava que com um pouco de treino, tudo iria dar certo. Sobre a questão de acampar, experiência nova, também achava que iria me virar bem. Já quanto à altitude…mistério. Poderia me dar muito bem nos 4.000m ou sofrer desesperadamente. Bem, só poderia conferir testando mesmo, então… viagem fechada.
Como a princípio eu iria sozinha, preferi planejar minha viagem com uma agência e lá me deram as dicas de que a trilha não era um bicho papão e que seria um acampamento mordomia. Para garantir, estava indo bem preparada, com um fleece quentinho, anorak e capa de chuva, uma bota confortável, isolante térmico e um sleeping que agüentava bem até -5ºC. Eu tinha tudo isso e mais a ansiedade em começar logo, aumentada por várias horas no ônibus vindo de Cuzco (com direito a muitas paradas nos vilarejos para pegar o pessoal que nos ajudaria na trilha e provisões) e temperada com repetições infinitas numa fita da Sonia Morales
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Finalmente, lá pelas duas da tarde paramos no quilômetro 88, onde conhecemos nossos companheiros de viagem: um suíço, um alemão e um português, além do trio brasileiro, que incluía também o Marc e a Natalia (que se juntou à nossa dupla ainda no aeroporto de Guarulhos). Conhecemos nosso guia e os nossos cozinheiros e carregadores, moços rapidíssimos, sempre com um sorriso no rosto. Eles num minuto prepararam nosso almoço e logo depois já estávamos mostrando os nossos passaportes no controle e atravessando o Rio Urubamba para começar a nossa subida.
Este primeiro dia foi fácil, caminhamos ainda em altitudes (relativamente) baixas e somente por uma tarde. Mas já deu um gostinho da paisagem, especialmente quando pudemos ver ao longe Llactapata, o primeiro sítio arqueológico do nosso caminho.
A nossa primeira parada foi logo após o vilarejo de Wayllabamba, a uns 2.800m, no final da tarde. E também a surpresa: todas as barracas arrumadinhas, inclusive a nossa tenda-refeitório. O nosso trabalho foi arrumar os sleepings e relaxar esperando o jantar, que estava ótimo, como todas as refeições. Difícil mesmo foi só me acostumar ao uso da lanterna para explorar o acampamento, mas preferimos dormir cedo mesmo, já que o dia seguinte prometia.
Acordamos umas 5 e meia, prontos para o trecho mais difícil e temido da trilha: no meio do dia estaríamos a 4.200m em Warmiwañusca, que quer dizer ‘Passo da Mulher Morta’ (deveria ser eu, claro
). Gente… é puxado. Mas possível. Para mim o que facilita é manter um passo não muito acelerado, mas constante, e de preferência não olhar muito para cima
Nas primeiras horas, a questão é mais de condicionamento físico mesmo, mas no final… cada passo é um sacrifício imenso e eu tinha que parar a cada cinco deles para tomar fôlego. É impressionante sentir o efeito da altitude no nosso corpo, mas eu não podia reclamar muito: estava bem, sem nenhum efeito do soroche e somente com o chazinho de coca do café da manhã, nem precisei mascar a folha. O que ajuda muito também é a paisagem neste trecho que é maravilhosa…a perfeita desculpa para dar uma paradinha
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A sensação lá em cima é incrível, fica todo mundo com cara de bobo, feliz de ter conseguido. A paisagem do outro lado é bem diferente, mais árida, mas lindíssima, com um sítio arqueológico que podia ser visto nas montanhas em frente. Dali, uma descida curta até a parada do almoço e mais descida até o nosso próximo acampamento.
Nossa noite foi ótima, o probleminha foi acordar no dia seguinte com uma chuva constante, que não tinha cara de parar logo. Que remédio…coloquei tudo o que podia no meu corpo e saímos. Passamos por Runkuraqay, aquela construção circular que tínhamos visto antes, um posto de guarda inca, e continuamos…
Passamos naquela manhã ainda por dois passos, com um altitude mais baixa que a do dia anterior, mas que, mesmo, assim exigiram bastante das pernas. Antes da parada do almoço passamos por mais um sítio arqueológico, Sayaqmarca, mas infelizmente a chuva não permitiu que aproveitássemos bem. Não que ela estivesse tão forte, mas estávamos bem molhados e a temperatura devia estar em uns 10ºC…a visão do refeitório e dos potinhos de sopa quentíssima ajudaram a elevar um pouco o ânimo
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Mas a partir daí as coisas ficaram mais difíceis, pelo menos para mim: era a descida. Com a chuva e as escadas de pedra, comecei a firmar mais meu passo para não escorregar, o que me gerou uma dor chatíssima abaixo do joelho. Passamos pelo bonito sítio de Phuyupatamarca e continuei mancando até o final da tarde quando chegamos a Wiñay Wayna, onde fica a única construção da trilha inca: um restaurante e um albergue com poucas camas, para aqueles que não agüentam mais acampar. Não era o nosso caso, mas passamos a noite no restaurante/bar, um lugar divertido, com gente do mundo inteiro reunida para beber uma cervejinha gelada, ouvir música e até dançar um pouco. Só não podíamos ficar até muito tarde porque a hora marcada para acordar era 3 e meia da manhã, para retomar a caminhada.
Para nossa sorte, a chuva tinha parado e a perspectiva de chegar logo a Machu Picchu nos deu um ânimo novo…seguimos pela manhã fresquinha por cerca de duas horas, acompanhando o cânion do Urubamba, até que percebemos a claridade se aproximando e uma subida. No final dela, o Inti Punku - a Porta do Sol - de onde finalmente vimos Machu Picchu com o nascer do sol. Eu nem sei explicar o que senti: alegria de ter conseguido chegar, a beleza de ver a cidade ali embaixo, vazia e calma, as montanhas ao redor… a vontade é de ficar ali por horas. Mas descemos para aproveitar o lugar antes da abertura do principal acesso, para quem vem de Águas Calientes. Estava cansada, mas feliz
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Abril 22, 2008 em 9:59 pm
Carla? Emília? Estou meia perdida aqui…
Que delícia!!! Queria ser animada como a Emília e encarar a Trilha Inca, domir em Uros e tudo mais, mas “acho” que sou meio preguiçosa… Com certeza chegar em Machu Picchu dessa forma é muito mais emocionante, sem falar na sensação de vitória depois dos vários dias de caminhada. Carla, foi uma ótima idéia essa participação especial!
Abril 22, 2008 em 10:27 pm
Que delícia de post mais interativo!!!! A blogosfera é mesmo uma coisa doida, não? Um pouco de Carla, um pouco de Emília, e um relato absolutamente adorável!!! Beijos mil pras duas
Abril 23, 2008 em 5:57 pm
Adorei essa participação especial! Sou louca para conhecer Machu Picchu! Uma delícia esse blog!
Beijos
Abril 23, 2008 em 9:17 pm
Puxa, já me sentia em casa antes aqui e agora então…

Carla, obrigada pelo convite, foi uma delícia escrever o post e voltar à Trilha Inca.
Meninas, muito obrigada!
Abril 24, 2008 em 11:21 am
Gente, hoje os méritos são todos da Emília… Eu também estou encantadíssima com esse post!
Emília, sou eu que agradeço!
O seu post sobre a Trilha Inca vai ser um dos pontos altos do Idas e Vindas, você vai ver só…
Abril 27, 2008 em 5:41 pm
Uau! Um tempinho sem passar por aqui e me deparo com um top gastronômico e uma participação especialíssima! Que bacana este post, Emília, deu para imaginar como foi essa aventura. Uma curiosidade: Quem é o famoso Marc?
Vi uma reprise do Mesa Pra Dois sobre o Peru. É incrível a variedade de batatas e milhos.
Abril 27, 2008 em 9:23 pm
Carla e Emília, parabéns pelo post !! Li de uma vezada só, uma delícia para fechar o domingo
Macchu Picchu é única mesmo, imagino a visão ao amanhecer.
Que preparo físico Emília, apesar de um acampamento com algumas mordomias, humm como uma comidinha pronta ;), fazer trilha àquela altitude, você é uma heroina !!
Abril 28, 2008 em 1:39 am
Oi, Alexandre! A comida no Peru é ótima e as batatas e milhos são realmente deliciosos, não dá para ter idéia da variedade. E o Marc é, como disse um vez o Riq, o sr. Emília, hehe…
Majô, heroína nada! A trilha não é um absurdo, não…com calma e tranqüilidade dá para terminar bem. A motivação sempre melhorava quando via cenas como a de uma senhora fazendo a trilha com dois apoios, com dificuldade, bem devagar…um show realmente.
Abril 28, 2008 em 11:28 am
Emília, que máximo essa senhora que você viu fazendo a trilha! Eu admiro muitíssimo essas pessoas, até porque não tenho a mesma disposição…
Também vi várias pessoas mais idosas, caminhando com alguma dificuldade, nos sítios arqueológicos próximos a Cuzco. Acho super bacana esse espírito de se aventurar, de não se trancar em casa e ficar esperando o tempo passar…
Maio 1, 2008 em 5:39 pm
Carla e Emília:
estou programando uma viagem para Machu Picchu para o próximo ano. Eu queria saber se vocês, pela experiência que já tiveram, poderiam dar uma olhada no roteiro que estou fazendo e me dar uma ajudinha. Eu quero atravessar a Bolívia, passar pelo Titicaca e seguir para Cuzco. Eu queria ter uma noção melhor das coisas. Por favor, se possível, me mandem um email para o endereço que cadastrei aqui no blog para que eu mostre os detalhes. Agradeço por antecipação, pois só de vocês relatarem as experiências aqui, já salva a nossa vida !!!
Maio 2, 2008 em 1:37 pm
Renato, se você não se incomodar, poste o seu roteiro aqui no blog mesmo, Ok? Assim a informação fica disponível para ajudar outras pessoas que venham consultar depois…
Maio 3, 2008 em 5:09 pm
Olá Carla!!
Sou louca para conhecer Macchu Picchu!! Estou certa que ainda vou, quiçá no próximo ano!
Você é corajosa, héin?! Acho que eu ia preferia subir de trem, mesmo sendo adepta total de caminhadas ecológicas!!
Bjs pra vc!
Maio 4, 2008 em 12:42 am
[...] Idas e Vindas « Trilha Inca [...]
Maio 9, 2008 em 12:01 pm
Emília!
Esso é uma grande AVENTURA!.
Parabéns pra Emília e sua aventura molhada e a Carla por sua aventura em trem.
Um abraço para as dois!.
Maio 9, 2008 em 2:33 pm
Fernanda, corajosa de verdade é a Emília… Eu também fui de trem…
Carmen, obrigada, suas visitas são sempre bem-vindas!