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Cuzco - o city tour I

Julho 5, 2008

City tour??? Como assim? (Será que consegui adivinhar a reação dos leitores desse blog ao ver a expressão “city tour” aqui em um título de post?) ;-)

Mesmo os que pouco freqüentam essa minha salinha de visitas já devem saber que, se tem uma coisa que eu não gosto quando se fala em viagens, essa coisa é o bendito city tour. Não tenho motivos racionais, não - é só que eu não gosto de ser levada aos lugares, prefiro ir sozinha; e talvez eu seja uma pessoa meio anti-social também (espero que não!), mas não gosto de me enfiar num ônibus com um monte de desconhecidos (ué, mas não tenho nada contra andar de ônibus comum, vai entender… :lol: )

O fato é que o city tour em Cuzco é diferente… Antes de mais nada, o city tour não mostra a cidade em si (eu não disse que era diferente?!?), mas sim os sítios arqueológicos situados na cidade ou bem próximos a ela. Além disso, acho que não haveria modo de chegar a esses sítios por conta própria, muito menos dependendo de transporte público! Assim, o “city tour”, nesse caso, era um mal necessário…

Todas as agências de turismo da Plaza de Armas oferecem não apenas esse passeio, como também outros, como o Valle Sagrado, a Trilha Inca, etc. Os roteiros não costumam variar muito, mas os preços podem, sim, ser bem diferentes entre uma agência e outra. Pesquisando em 2 ou 3, nos decidimos por uma pequena agência na Calle del Comercio, onde o atendimento foi muito simpático e o city tour nos custou 15 soles por pessoa. (Como estou atrasadíssima para contar essa história, que é de praticamente 1 ano atrás, esses preços podem estar completamente defasados…)

Para ingressar nos sítios arqueológicos, o melhor a fazer é comprar um boleto turístico na Oficina de Turismo da Avenida del Sol (Arthur, obrigada pelo link!) . O bilhete dá direito a ingressar em 16 atrações, entre elas as que fazem parte do city tour e do passeio ao Valle Sagrado. O custo é de 70 soles (e apenas 40 para estudantes), e já se pode estrear o bilhete no Museo de Arte Popular, que fica no subsolo do prédio da Municipalidad del Cusco, o mesmo onde está a Oficina de Turismo.

O city tour dura toda uma manhã ou uma tarde. Contratamos o nosso para a tarde do mesmo dia e tínhamos então toda a manhã livre para passear pela cidade.

Começamos por um programinha perto do hotel, o Mercado de Cusco, junto à Iglesia de San Pedro. É um mercado de abastecimento típico, onde as pessoas também vão para tomar o café da manhã ou almoçar (e eu, claro, não tive coragem de provar nada, digamos, “suspeito”…)

Depois embarcamos em um passeio down memory lane - ou seja, pelos caminhos da memória… Explico: eu estava viajando com a minha tia Célia, que já tinha ido a Cuzco em outra ocasião, muitos anos antes. Fomos então tentar encontrar o hotel onde ela e uma amiga tinham se hospedado. Ela se lembrava mais ou menos da localização, na Plaza San Francisco - e não é que conseguimos mesmo encontrar o hotel?

O hotel tem essa linda vista para a Plaza San Francisco. Chegamos também a dar uma espiadinha no átrio:

Seguimos então para o nosso almoço (esse foi o dia do Mesón de Espaderos) e logo no início da tade estávamos a postos na Plaza del Regocijo para embarcar no ônibus e começar o nosso city tour…

Enfim, Machu Picchu!

Maio 14, 2008

Ou: palavras são necessárias? ;-)

A verdade é que a chegada a Machu Picchu é sempre impactante… Imagino que para quem faz a Trilha Inca e vê Machu Picchu pela primeira vez ao nascer do sol seja ainda mais poético, mas o fato é que ninguém está verdadeiramente preparado para se deparar com aquela cidadela no meio das montanhas, escondida até o último minuto… Não dá pra evitar imaginar o que não deve ter sido para Hiram Bingham, o explorador que no início do século XX finalmente revelou ao mundo o segredo inca escondido por tanto tempo, nunca descoberto pelos colonizadores espanhóis…

Infelizmente não tenho aqui comigo as informações que guardei sobre Machu Picchu, e não vou poder ser precisa nem explicar bem as fotos… Mas compartilho com vocês o meu olhar sobre esse tesouro… ;-)

Cinco minutos em Aguas Calientes

Maio 13, 2008

Ao descer do trem, o cenário não é muito animador… Chegamos à cidadezinha de Aguas Calientes, um povoado que vive do turismo a Machu Picchu, e que oferece hospedagem e alimentação à maioria dos turistas, ou seja, aqueles que não pagam mais de US$ 400 a diária para se hospedar dentro do parque… ;-)

A cidadezinha se desenvolveu em torno da linha do trem - aí estão os restaurantes, boa parte dos hotéis, muitas lojinhas e um grande mercado de artesanato:

O nome desse restaurante aí embaixo não é demais? Até quem não é índio fica feliz com a idéia de um bistrô franco-peruano… :lol:

Claro, há também uma igrejinha!

Compramos então nossos bilhetes para o ônibus Aguas Calientes - Machu Picchu, e começamos a nossa jornada montanha acima…

(Gente, sério que não é só pelo prazer do suspense… O tempo anda escasso mesmo pra atualizar o bloguito!) ;-)

Trilha Inca

Abril 22, 2008

Embora Cuzco seja uma cidade charmosíssima, aconchegante e linda, a verdade é que a razão pela qual 10 entre 10 turistas a visitam é ir até Machu Picchu… ;-)

Há basicamente 2 formas de chegar a Machu Picchu: uma é ir de trem, como eu fui; outra é botar a mochila nas costas e encarar a Trilha Inca, como fez a convidada especial do Idas e Vindas, a querida Eco-mília!!!

Depois dessa breve introdução, deixo vocês entregues ao saboroso relato da Emília - e aposto que muitos, como eu, vão “viajar” longamente aqui na frente da telinha…

Quando decidi fazer a minha viagem ao Peru, em 2003, eu tinha certeza que queria fazer a Trilha Inca. Não tinha muita certeza do que iria encontrar, do nível de dificuldade, mas achava que com um pouco de treino, tudo iria dar certo. Sobre a questão de acampar, experiência nova, também achava que iria me virar bem. Já quanto à altitude…mistério. Poderia me dar muito bem nos 4.000m ou sofrer desesperadamente. Bem, só poderia conferir testando mesmo, então… viagem fechada.

Como a princípio eu iria sozinha, preferi planejar minha viagem com uma agência e lá me deram as dicas de que a trilha não era um bicho papão e que seria um acampamento mordomia. Para garantir, estava indo bem preparada, com um fleece quentinho, anorak e capa de chuva, uma bota confortável, isolante térmico e um sleeping que agüentava bem até -5ºC. Eu tinha tudo isso e mais a ansiedade em começar logo, aumentada por várias horas no ônibus vindo de Cuzco (com direito a muitas paradas nos vilarejos para pegar o pessoal que nos ajudaria na trilha e provisões) e temperada com repetições infinitas numa fita da Sonia Morales  :-)

Finalmente, lá pelas duas da tarde paramos no quilômetro 88, onde conhecemos nossos companheiros de viagem: um suíço, um alemão e um português, além do trio brasileiro, que incluía também o Marc e a Natalia (que se juntou à nossa dupla ainda no aeroporto de Guarulhos). Conhecemos nosso guia e os nossos cozinheiros e carregadores, moços rapidíssimos, sempre com um sorriso no rosto. Eles num minuto prepararam nosso almoço e logo depois já estávamos mostrando os nossos passaportes no controle e atravessando o Rio Urubamba para começar a nossa subida.

Este primeiro dia foi fácil, caminhamos ainda em altitudes (relativamente) baixas e somente por uma tarde. Mas já deu um gostinho da paisagem, especialmente quando pudemos ver ao longe Llactapata, o primeiro sítio arqueológico do nosso caminho.

A nossa primeira parada foi logo após o vilarejo de Wayllabamba, a uns 2.800m, no final da tarde. E também a surpresa: todas as barracas arrumadinhas, inclusive a nossa tenda-refeitório. O nosso trabalho foi arrumar os sleepings e relaxar esperando o jantar, que estava ótimo, como todas as refeições. Difícil mesmo foi só me acostumar ao uso da lanterna para explorar o acampamento, mas preferimos dormir cedo mesmo, já que o dia seguinte prometia. 

Acordamos umas 5 e meia, prontos para o trecho mais difícil e temido da trilha: no meio do dia estaríamos a 4.200m em Warmiwañusca, que quer dizer ‘Passo da Mulher Morta’ (deveria ser eu, claro :-) ). Gente… é puxado. Mas possível. Para mim o que facilita é manter um passo não muito acelerado, mas constante, e de preferência não olhar muito para cima :-) Nas primeiras horas, a questão é mais de condicionamento físico mesmo, mas no final… cada passo é um sacrifício imenso e eu tinha que parar a cada cinco deles para tomar fôlego. É impressionante sentir o efeito da altitude no nosso corpo, mas eu não podia reclamar muito: estava bem, sem nenhum efeito do soroche e somente com o chazinho de coca do café da manhã, nem precisei mascar a folha. O que ajuda muito também é a paisagem neste trecho que é maravilhosa…a perfeita desculpa para dar uma paradinha :-)

A sensação lá em cima é incrível, fica todo mundo com cara de bobo, feliz de ter conseguido. A paisagem do outro lado é bem diferente, mais árida, mas lindíssima, com um sítio arqueológico que podia ser visto nas montanhas em frente. Dali, uma descida curta até a parada do almoço e mais descida até o nosso próximo acampamento.

Nossa noite foi ótima, o probleminha foi acordar no dia seguinte com uma chuva constante, que não tinha cara de parar logo. Que remédio…coloquei tudo o que podia no meu corpo e saímos. Passamos por Runkuraqay, aquela construção circular que tínhamos visto antes, um posto de guarda inca, e continuamos… 

Passamos naquela manhã ainda por dois passos, com um altitude mais baixa que a do dia anterior, mas que, mesmo, assim exigiram bastante das pernas. Antes da parada do almoço passamos por mais um sítio arqueológico, Sayaqmarca, mas infelizmente a chuva não permitiu que aproveitássemos bem. Não que ela estivesse tão forte, mas estávamos bem molhados e a temperatura devia estar em uns 10ºC…a visão do refeitório e dos potinhos de sopa quentíssima ajudaram a elevar um pouco o ânimo :-)

Mas a partir daí as coisas ficaram mais difíceis, pelo menos para mim: era a descida. Com a chuva e as escadas de pedra, comecei a firmar mais meu passo para não escorregar, o que me gerou uma dor chatíssima abaixo do joelho. Passamos pelo bonito sítio de Phuyupatamarca e continuei mancando até o final da tarde quando chegamos a Wiñay Wayna, onde fica a única construção da trilha inca: um restaurante e um albergue com poucas camas, para aqueles que não agüentam mais acampar. Não era o nosso caso, mas passamos a noite no restaurante/bar, um lugar divertido, com gente do mundo inteiro reunida para beber uma cervejinha gelada, ouvir música e até dançar um pouco. Só não podíamos ficar até muito tarde porque a hora marcada para acordar era 3 e meia da manhã, para retomar a caminhada.

Para nossa sorte, a chuva tinha parado e a perspectiva de chegar logo a Machu Picchu nos deu um ânimo novo…seguimos pela manhã fresquinha por cerca de duas horas, acompanhando o cânion do Urubamba, até que percebemos a claridade se aproximando e uma subida. No final dela, o Inti Punku - a Porta do Sol - de onde finalmente vimos Machu Picchu com o nascer do sol. Eu nem sei explicar o que senti: alegria de ter conseguido chegar, a beleza de ver a cidade ali embaixo, vazia e calma, as montanhas ao redor… a vontade é de ficar ali por horas. Mas descemos para aproveitar o lugar antes da abertura do principal acesso, para quem vem de Águas Calientes. Estava cansada, mas feliz :-)

E na hora da fome…

Abril 15, 2008

Finalmente, cá estamos nós de volta à nossa novelinha!!! :D

Cuzco me pareceu uma cidade semelhante, em vários aspectos, a algumas das nossas cidades históricas no Brasil. Não é apenas pelo fato (óbvio) de que é uma cidade colonial, que guarda traços tanto da dominação estrangeira quanto da resistência indígena, ou que hoje sobrevive do turismo… Não, pra usar a linguagem popular, o buraco aqui é mais embaixo - a bem dizer, estamos falando do nosso amigo, o estômago… ;-)

Como várias das nossas cidades históricas (é só pensar em Tiradentes, Paraty…), Cuzco também se revelou um destino gastronômico bem interessante. Eu não sou muito fã de sair provando comidinhas diferentes, não. Pra dizer a verdade, sou meio chata com algumas coisas, meio fresca com outras, enfim, não sou a melhor fonte de informações sobre comida típica de lugar nenhum…

E no Peru não poderia ser diferente… Um dos pontos altos da culinária local, o cuy, que é um animalzinho pequenininho, tipo um porquinho-da-índia ou uma preá, passou bem longe da minha mesa… e quando passava perto eu fingia que nem era comigo! Pois então eu lá ia ter coragem de comer aquele bichinho assado inteirinho, ainda com jeito e forma de bichinho, e não de comida? Nem pensar… :roll: (Claro, isso já rendeu mil e uma histórias, tipo um ex-namorado que me disse uma vez que não entendia como eu não me incomodava com o sofrimento dos pobres dos gansinhos enquanto saboreava o meu “patêzinho”… E o pior é que eu não penso mesmo, não, tanto que não sou vegetariana, muito pelo contrário!!! Eu só não quero ver… )

Mas, voltando ao assunto, como nem só de comida típica se fazem os bons restaurantes - e, aliás, um destino gastronômico que se preze não pode viver só de comida típica - fizemos algumas visitas a uns restaurantes bem interessantes de Cuzco. E um ponto em comum que me chamou bastante a atenção foi que, mesmo que o restaurante seja internacional, as entradinhas sempre têm pelo menos um pouquinho de cor local… ;-)

Logo no primeiro dia, fomos almoçar no Inka Grill, que fica bem na Plaza de Armas - como aliás, quase todos! A Plaza de Armas é o ponto central de Cuzco, todos os caminhos levam a ela…

Enquanto olhávamos o menu, chegou a nossa entradinha: batatas chips, sim, algo tão comum… Mas batatas de vários tipos diferentes, alguns que eu nem nunca tinha visto (o Peru e a Bolívia produzem mais variedades de milho e batatas do que somos capazes de imaginar, algo assim como 200 tipos diferentes de batatas e 700 de milho!!!) - acompanhadas de um molhinho de ervas muito gostoso e refrescante, porque devia ter hortelã na composição:

Nosso almoço em si foi simples: pedimos um filé de frango grelhado acompanhado de um gnocchi al funghi - era dia 29, né, dia de comer gnocchi com uma nota de um dólar embaixo do prato!!! (29 de julho de 2007, vejam só como essa novelinha tá um atraso só!!!) Não dá água na boca só de olhar? (E eu estou aqui me torturando às 2:30 da tarde sem almoço, só pra não perder a oportunidade de usar a conexão… :roll: )

Atualização: nosso almoço no Inka Grill custou cerca de 22 soles por pessoa = pouco menos de R$15,00! ;-)  

Um outro lugar que fez sucesso foi o Mesón de Espaderos, também na Plaza de Armas, claro… Aliás, o único restaurante que experimentamos fora da Plaza de Armas foi um desastre - era uma trattoria até bonitinha, mas uma comida sem graaaaaaça… Mas o Mesón de Espaderos agradou muitíssimo…  

- e aqui pedimos um prato típico do Peru, o lomo saltado:

Atualização: E eu me esqueci de anotar quanto gastamos nesse almoço, mas os preços não variavam muito, não…

Na verdade, o lomo saltado fez tanto sucesso com a gente que um outro dia decidimos pedi-lo de novo, mas em outro restaurante, o De Mi Pueblo:

Outro sucesso - uma delícia!!! :D

Atualização: O almoço no De Mi Pueblo custou 25 soles - a cerveja encareceu um pouquinho a conta… Mesmo assim, isso significa algo em torno de R$ 16,00!

Para continuar a lista dos top 5, eu não poderia deixar de incluir o Chez Maggy - são duas filiais desse restaurante tão despretencioso quanto charmoso e aconchegante. E aqui ainda tivemos música ao vivo!

As entradinhas típicas, claro - umas 327 espécies diferentes de amendoins torradinhos…

… mesmo que o pedido principal seja uma pizza!!! ;-)

Atualização: No Chez Maggy gasta-se pouco… Nosso lanche custou 15 soles por pessoas, ou seja, R$ 10,00! :D

E para completar a lista, eu não poderia deixar de botar água na boca de todos com a fabulosa sobremesa do restaurante do Hotel Terra Andina - o helado tempura!!!  Pois bem, trata-se de uma daquelas maravilhosas sobremesas que unem o quente ao frio, o crocante ao macio, ou seja, inacreditável!!! E engordativo, claro, mas férias que são férias significam aproveitar, em todos os sentidos!!! :D

Atualização: O helado tempura pode até pesar na dieta, mas no bolso, jamais!!! Apenas 8 soles, ou menos de R$6,00. ;-)

Cuzco by night

Março 20, 2008

À noite tomamos o rumo da Plaza de Armas novamente. E eu não sabia que isso seria possível, mas a Catedral me pareceu ainda mais impactante…

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A vida do centro histórico de Cuzco se concentra ao redor da praça. Sob os arcos, cada portinha se abre para uma loja, um restaurante, uma agência de turismo, uma pousadinha… 

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Nas ruelinhas estreitas que começam na praça, o movimento não tem hora pra acabar…  

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Mas a imagem da noite cusquenha que fica gravada na memória mesmo é essa… ;-)

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Cuzco à primeira vista

Março 15, 2008

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A vida de toda cidade de colonização espanhola gira em torno de sua Plaza de Armas - e não seria diferente em Cuzco. Assim, uma vez cumpridas as obrigações burocráticas do check-in no hotel e da compra dos bilhetes de trem para Machu Picchu, foi para a Plaza de Armas que nos encaminhamos.

O Hotel Terra Andina fica situado a 6 quadras da Plaza de Armas, uma caminhada curtinha, de cerca de 10 minutos, pela Calle Santa Clara. No mapinha acima dá pra traçar o caminho direitinho: no canto inferior esquerdo está a estação de onde parte do trem para Machu Picchu, ao lado da Iglesia de San Pedro. A Calle Unión, onde fica o hotel, é a que sobe paralela à Calle Desamparados - ainda bem que não é nessa que fica o hotel, né? ;-)

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 A Calle Marqués Mantas com a Iglesia de La Merced ao fundo

Daí é só seguir pela Calle Santa Clara em direção à Iglesia de Santa Clara, cruzar o Arco de Santa Clara, continuar na mesma rua, que passa a se chamar Marqués Mantas, passar pela Plaza de San Francisco e pela Iglesia de La Merced.

Se formos andando pelo lado direito da rua, atravessamos a Avenida del Sol, uma das principais de Cuzco: 

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Mais 2 minutinhos e avistamos a Plaza de Armas de Cuzco, com a Iglesia de la Compañía à direita e a imensa Catedral em frente! Pausa para uma foto… :D

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A Iglesia de la Compañía ao fundo

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A Catedral de Cuzco

Reserva: a palavra mágica!

Fevereiro 27, 2008

Uma vez devidamente registradas no hotel, nosso próximo passo, antes de estarmos liberadas para o reconhecimento da cidade, foi seguir direto para o escritório da Peru Rail para buscar as nossas passagens de trem para Machu Picchu. A pressa tinha um motivo: era domingo, e aos domingos o escritório fecha ao meio-dia. Como não tínhamos a menor intenção de deixar para o dia seguinte o que poderíamos fazer naquele dia mesmo, fomos pra rua.

Um detalhe importante é que os bilhetes da Peru Rail são comprados no escritório da companhia, e não na bilheteria da estação de trem San Pedro, de onde partem os trens para Machu Picchu. O Hotel Terra Andina fica situado a 5 minutos da estação, mas para ir ao escritório tivemos que tomar um táxi.

Seguimos então a rotina diária de tomar táxis no Peru. O primeiro passo manda perguntar no hotel quanto se deve pagar para ir até um determinado destino. Muitas vezes um funcionário mesmo do hotel trata um táxi na rua - e eles sempre conseguem bons preços! Caso isso não aconteça, e seja necessário pegar um táxi por conta própria, vem o segundo passo. A ordem então é barganhar. O taxista faz o preço, normalmente muito acima do que seria o preço correto. Por exemplo, em uma corrida de 6 soles, ele diria 10 soles ou mais. Nesse momento, se eu disser que pago 6, que seria o preço justo, ele fará a contra-proposta de 8 soles. A técnica então, é jogar a primeira contra-proposta lááááá embaixo. Assim, quando ele diz 10 soles, eu devo responder algo como “Le pago 3 soles”. Claro que ele nunca vai aceitar esse valor, e vai propor os 6 soles que eu já sabia que deveria pagar desde o princípio… ;-)

A pechincha é um fato cultural. Cansei de ler artigos de viagem, em sites, blogs e afins, principalmente os escritos por americanos, em que só faltavam dizer que seria a coisa mais politicamente incorreta do mundo pechinchar com “esses pobres coitados sul-americanos que mal têm o que comer”… :P Quem diz isso não entendeu o espírito da coisa - o vendedor jamais vai cobrar por um artigo menos do que seria necessário para que ele ganhe o seu sustento. Assim, o primeiro preço que ele cobra é sempre exorbitante para os padrões dele, mesmo que para nós seja muito barato - não entrar no jogo equivale a ignorar uma regra social pré-estabelecida. No início, eu achava que poderia ser constrangedor; depois, relaxei e no fim das contas estava me divertindo horrores!!! :D

Chegamos então ao escritório da Peru Rail. Já na entrada eu estava achando tudo lindo, com esse trenzinho irresistível para uma foto… (Fiz a foto, mas só depois de buscar os bilhetes - mesmo em viagem, primeiro a obrigação!)

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Uma vez dentro do escritório, o cenário era desolador: uma enorme quantidade de pessoas aguardava atendimento para comprar os bilhetes. Nós tínhamos reservado as nossas passagens para a 3a.f. seguinte, mas estávamos considerando a possibilidade de trocar a viagem para a 2a. ou para a 4a.f., já que apenas na 3a. haveria o Mercado Indígena em Pisac. Fomos então buscar informações a respeito, e foi aí que eu vi o quanto tinha sido sensato reservar os bilhetes com antecedência - era simplesmente impossível conseguir lugar nos trens pelos próximos 10 dias! E nós estávamos viajando no Vistadome, o trem panorâmico, mais caro do que o Backpacker, o trem convencional. Não sei o que fazem as pessoas que chegam a Cuzco sem reservas…

Principalmente para quem viaja na alta temporada, fazer as reservas é indispensável. O processo é simples: basta preencher um formulário no site e aguardar a confirmação da reserva por email. Na chegada a Cuzco, basta ir ao escritório com o passaporte e o dinheiro (dólares cash, porque a companhia não aceita cartões…) para retirar os bilhetes.

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No meio de toda essa gente, nós não tivemos que esperar nem 20 minutos para pegar os nossos. Eles distribuem senhas diferenciadas - para quem tem reservas, para o tipo de trem, etc. É um  pouco confuso acompanhar nos monitores, a princípio, porque ora aparece a letra E, ora a letra B, ora uma outra letra qualquer, os números vêm fora de seqüência, é uma confusão…

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Mas logo chamaram a nossa senha, compramos os nossos bilhetes (em dólares cash, não esqueçam…) e, livres de obrigações, começamos a desbravar Cuzco… ;-)

Hotel Terra Andina

Fevereiro 21, 2008

Faz algum tempo, ainda na era pré-Internet, o meu critério quando eu escolhia um hotel para me hospedar era muito simples. Eu fazia uma pergunta básica: cabe no meu bolso? ;-) A segunda pergunta era: é bem localizado? Se as duas respostas fossem afirmativas, o hotel estava aprovado. Se apenas a segunda fosse negativa, muitas vezes o hotel acabava sendo aprovado também - afinal, ônibus, metrô e canelinhas estão aí pra isso mesmo… Mas como os guias impressos trazem as descrições apenas, sem fotos dos hotéis, e como o Trip Advisor ainda nem sonhava existir, muitas vezes o hotel “escolhido” era um roubada daquelas… :lol:

No meio das roubadas, volta e meia aparecia um hotelzinho lindo, ou aquele B&B cheio de charme, que a gente passava a recomendar aos amigos… Quando a Internet se tornou um meio comum de pesquisar e reservar hospedagem antes de viajar, estava aberto o caminho para aumentar (e muito!!!) a margem de acerto dessas escolhas. (Para quem estiver interessado em mais detalhes, a Sylvia ensinou o caminho das pedras com detalhes no antigo VnV do WordPress).

Ultimamente, a pergunta básica continua sendo a mesma, mas várias outras passaram a ser muito importantes. Eu considero fundamental que um hotel seja bem localizado - e isso nem sempre quer dizer que ele fica no meio de tudo - muitas vezes, ele fica em um bairro mais tranqüilo, mas de fácil acesso às atrações. Também acho importantíssimo que o próprio ambiente do hotel seja agradável - se for bonito e bem decorado, então! E eu gosto muito de ambientes amplos, então costumo adorar aqueles hotéis antigos, que fazem pensar em mil histórias de outros tempos…

Pois bem: o meu xodó nessa viagem ao Peru foi o hotel em que nos hospedamos em Cuzco, o Terra Andina, esse mesmo da foto aí embaixo:

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O Terra Andina não foi a minha primeira opção em Cuzco. Há muito tempo eu guardava nos meus arquivos uma referência ao Hotel Ruinas, que era a minha primeira escolha na cidade. Ao longo das pesquisas, me encantei também com o Hotel Picoaga. Era uma decisão difícil, e também importante - Cuzco era a cidade onde passaríamos mais tempo, 4 noites no total, e a que tinha os hotéis mais caros e concorridos. Não dava pra errar… :roll:

No fim das contas, o “bolso” decidiu por mim… Encontrei uma promoção no site da Go 2 Peru, e resolvi os hotéis de Puno, Cuzco e Lima de uma tacada só. De acordo com essa promoção, alguns hotéis ofereciam descontos bárbaros, que podiam chegar até a 45%, desde que pagos com antecedência no cartão de crédito Visa. Foi aí que vi a diária do Terra Andina a US$ 65.00, quando o normal era vê-lo nos outros consolidadores a cerca de US$80.00, a mesma faixa do Ruinas e do Picoaga, um pouco mais caros, por volta de US$ 90.00, US$ 100.00.

A princípio pode até parecer uma economia boba, afinal cada uma de nós economizou US$ 30.00 pelas 4 noites de hospedagem. Mas basta pensar que esses US$ 30.00 já fizeram uma das noites sair praticamente de graça, ou que foram suficientes para custear quase toda a nossa alimentação nos dias em que passamos na cidade que a gente tem uma nova dimensão do que significam US$ 30.00 a mais para gastar no Peru… ;-)

Não cheguei a visitar os outros hotéis - até gostaria de ter ido, mas não lembrei disso enquanto estávamos lá. De qualquer modo, eu não tinha nem motivo para xeretar outro hotel… A nossa chegada ao Terra Andina já mostrou de cara a qualidade que teria a nossa estada - nossas malas foram levadas para o quarto enquanto preenchíamos as nossas fichas confortavelmente instaladas nas poltronas, saboreando um matecito de coca. Ah, essa área do hotel é toda servida por Internet wireless e o computador que aparece na foto é para uso dos hóspedes - de graça! 8)

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Uma das características que eu buscava no hotel onde fosse me hospedar em Cuzco era esse átrio, que é uma característica marcante da colonização espanhola. No caso do Terra Andina, o átrio é o restaurante do hotel, onde é servido o café da manhã. Por esse motivo, não é uma boa idéia ficar em um quarto que dê janelas para essa parte interna… Afinal, todos os dias há hóspedes de partida para Machu Picchu, e o trem deixa Cuzco às 06:00 h da manhã - dá pra imaginar a que horas começa o movimento no restaurante, né?

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O nosso quarto ficava no andar de cima, na parte dos fundos - até dava pra ouvir um pouco do movimento, mas nada que chegasse a atrapalhar o sono, não… E o quarto era excelente, bem confortável e aconchegante. Não era tão grande, o espaço para as malas era um pouco restrito, mas tínhamos um ótimo armário…

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E o melhor de tudo é que o nosso banheiro era ESPETACULAR!!! Além de branquíssimo e limpíssimo, era imenso, confortável e bem aquecido - maravilhoso a ponto de merecer duas fotos no blog, o que deve ser uma honra para qualquer banheiro!!! :lol:

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A primeira impressão NÃO é a que fica…

Fevereiro 18, 2008

No momento em que desembarcamos em Cuzco eu soube que estava chegando a uma das “mecas” do turismo mundial em plena alta temporada. Eu soube, pura e simplesmente, que daquele momento em diante, dificilmente voltaria a sentir a tranqüilidade que tinha experimentado no Lago Titicaca. Afinal, quem manda ser doida o suficiente pra decidir ir ao Peru em pleno mês de julho, quando os estudantes DO MUNDO INTEIRO estão de férias?!?

O aeroporto estava lotado - o desembarque estava repleto, o saguão estava apinhado, era uma multidão para todos os lados. A muito custo, pegamos a bagagem e fomos direto procurar um agente da Lan Peru (porque eu precisava pegar o meu alicate… :lol: ) Assim que recuperei a posse da minha “arma”, fomos tratar de arranjar um táxi.

Aqui começou o meu aborrecimento… Tanto na Bolívia quanto no Peru não existem taxímetros - o valor de cada corrida é previamente combinado com o taxista. É claro que os preços são diferentes para os locais e para os turistas, a menos que o turista seja esperto e descubra antes com alguém do local o valor que deve aceitar como justo para ir até o seu destino. Isso significa dizer que paga menos quem barganha melhor - e significa também que uns dias no Peru equivalem a um curso de pós-graduação na arte da pechincha… Eu voltei craque!!! :D

Claro que nos aeroportos há aqueles balcões de táxi que existem nos aeroportos do mundo todo - seguros, rápidos e muito mais caros. Mas, como já estávamos acostumadas ao esquema da combinação de preços, não achei necessário, e lá fomos nós buscar um táxi. Perguntei à atendente do balcão de informações quanto eu deveria pagar por um táxi até o nosso hotel e ela me disse que um preço justo seria 4 ou 5 soles, o equivalente a algo entre R$ 2,60 e R$ 3,30… ;-) (Depois dessa viagem eu nunca mais vou achar que táxi na Argentina é barato… E me sinto assaltada a cada vez que entro em um táxi aqui no Brasil…)

Pois bem: perguntamos ao primeiro taxista quanto nos cobraria, e nos disse 10 soles. Recusei educadamente e expliquei que no balcão de informações tinham me dito que o preço justo seria no máximo 5. Ele disse que não faria menos de 10 e outro se interpôs, dizendo que faria a 6. Aceitei - afinal, não ia ficar contando tostões… Mas quando chegamos do lado de fora do saguão e o motorista do táxi já pegava as nossas malas, o sujeito me diz que o valor era mesmo 10 soles, e não poderia fazer por menos!!!

Foi então que eu subi nas tamancas!!! É por essas e outras situações semelhantes que eu agradeço pelos meus estudos de línguas - nada como se expressar bem claramente na língua da pessoa que está tentando te passar pra trás e dizer a ela em alto e bom som que pode ir catar coquinho, mas não vai te fazer de boba… Disse a ele, com toda a classe, que podia deixar as malas onde estavam, porque preferíamos voltar ao desembarque e pegar um táxi do aeroporto, ao valor que fosse, a desembolsar um único centavo além dos 6 soles combinados - e frisei bem que não era pelo valor da corrida (afinal, o que são R$ 7 por uma corrida de táxi aqui no Brasil, né?), mas pela falta de respeito ao que havia sido combinado 2 minutos antes. Ele então voltou atrás e nos cobrou o preço correto, mas fiquei apreensiva por todo o caminho até a chegada ao hotel… :roll:

No fim das contas, esse incidente acabou mexendo com os meus instintos cariocas mais arraigados… Esses preconceitos que dizem que o carioca é malandro, o paulista é trabalhador, o baiano é preguiçoso, etc. não têm nada a ver, claro, mas nesse dia eu usei o argumento a meu favor - pois então o cara estava achando que ia ser mais malandro do que a carioca aqui?!? Ah, mas não ia mesmo… :lol: 8) :P