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Uma tarde em Puno

Fevereiro 6, 2008

Quando chegamos de volta a Puno, a tarde já ia um pouco alta, e mal tínhamos comido qualquer coisa durante a manhã. O café da manhã do hotel, por sua vez, era bem menos interessante do que o nosso costume no Brasil… Ou seja, a fome já estava “atacando”… :lol: O ônibus mal nos deixou no hotel e já voamos pra rua de novo, em busca de um restaurante gostoso onde almoçar.

No dia anterior, durante o nosso passeio pela Calle Lima, tínhamos visto diversos restaurantes muito simpáticos, e resolvemos dar um crédito ao La Casona, não só pelo preço e localização (a fome era grande mesmo…), mas porque achamos muito pitoresco o fato de ele ser um “restaurante-museu”… ;-) O restaurante é realmente uma graça - uma antiga casa, dividida em vários ambientes, todos decorados com peças típicas da região. Na parte onde ficamos havia um fogão daqueles antigos, a lenha, que acabou fazendo as vezes de aquecedor - muito bem vindo naquele frio danado…

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Mas a melhor parte da nossa ida ao La Casona foi a sobremesa: uma massa de bizcocho, enrolada como um rocambole, e recheada com sorvete… Eu queria sorvete de lucuma, uma frutinha típica do Peru, mas não tinha - tive que me contentar com sorvete de creme mesmo… :cry:  Mas não estou reclamando, não, estava uma delícia!

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Logo depois do almoço, seguimos direto para o Mercado de Artesanía de la Terminal Lacustre. O mercado é enorme - são várias e várias aléias, com “lojinhas” de todos os tipos de artesanato, da cerâmica à tecelagem. Os preços são inacreditáveis!!! Na época eu estava montando a minha casa, e tive vontade de comprar de tudo: toalhas de mesa, panos de prato, jogos americanos, vários tapetes, objetos de decoração… Como a possibilidade de fretar um caminhão de mudanças para trazer as minhas compritchas para casa era remota, me contentei com alguns joguinhos americanos… :lol: Só pra dar uma idéia dos precinhos fabulosos, um jogo americano de 4 peças me custou 10 soles, cerca de R$ 6,00.

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À noite, resolvemos experimentar outro restaurante da Calle Lima que tinha chamado a nossa atenção no dia anterior, o El Fogón - bingo, mais uma vez! Com o frio que fazia, nada como um lugar aconchegante, bem aquecido e decorado com bom gosto…

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Nem nos importamos de comer pizza mais uma vez, já que essa era a especialidade do lugar… ;-)

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Terminamos a noite cedo, com uma curta caminhada de volta ao hotel - no dia seguinte tínhamos que chegar ao aeroporto de Juliaca bem cedinho para tomar o nosso vôo para Cuzco, que sairia às 08:00 da matina… Sairia, bem entendido, mas esse já é um outro capítulo dessa novela… ;-)

Atualização: Êpa, não é que eu me confundi aqui? O vôo de Juliaca a Cuzco transcorreu sem problemas… A novela se deu mesmo foi na ida de Cuzco para Lima - vou prorrogar um pouquinho então o clima de suspense… :P

Kamisaraki!

Janeiro 24, 2008

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“Em Roma, como os romanos”, diz o ditado. Então, nas Ilhas Flutuantes dos Uros, como os Uros… ;-) Era assim que eu pensava, até descobrir que os Uros são, hoje em dia, uma etnia extinta. As famosas ilhas flutuantes feitas de totora, um tipo de junco que cresce no Lago Titicaca, são hoje habitadas pelos Aymaras… As tradições, entretanto, são preservadas - em parte, claro, para exibição aos turistas, já que o turismo é um dos principais meios de sustento da população.

A língua corrente é o aymara. “Kamisaraki!” é a expressão que todo turista aprende ainda no barco a caminho da ilha, e que é repetida nos mais diversos sotaques, conforme os turistas desembarcam na ilha e cumprimentam seus anfitriões - significa “Olá, como vai?” 

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A chegada às ilhas é impactante. À primeira vista, parece impossível que aquelas ilhas tenham sido “fabricadas”… A técnica, sempre a mesma desde tempos imemoriais, consiste em trançar a totora sobre uma superfície que lembra um xaxim e, portanto, flutua. A “construção” é bastante resistente - as ilhas chegam a ter mais de 2 metros de espessura - mas leve o bastante para flutuar ao sabor das águas do lago caso não seja ancorada.

Apesar da importância de se preservar a tradição, entretanto, hoje em dia ninguém mais habita as ilhas em caráter permanente. A umidade constante é uma vilã perigosa à saúde, e causa doenças respiratórias as mais diversas - um grande risco principalmente para as crianças. Para evitar maiores danos, cada família só permanece nas ilhas 2 ou 3 meses de cada vez; terminado o prazo, é preciso passar uma temporada no continente.

A principal fonte de renda das ilhas é o turismo - e a venda de artesanato aos turistas… :D

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É um passeio delicioso, e pode ser feito em um único dia. Nós contratamos o nosso com uma agência recomendada pelo hotel, ao custo de 20 soles por pessoa - algo em torno de R$ 14,00… Quem estiver em busca de uma experiência mais “autêntica”, entretanto, pode seguir os passos da Emília e passar uma noite lá… :D (Emília, conta pra gente o seu lado da história, tá? Atualização: o relato da Emília está nesse comentário aqui.)

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Eu fiquei pouco tempo, algumas horas apenas - mas a visita aos Uros foi um dos pontos altos da minha curta temporada no Lago Titicaca…

Táxi!!!

Janeiro 17, 2008

Em Puno, um meio de transporte muito prático é o táxi:

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Há também os convencionais… Mas esses não são absolutamente irresistíveis?!? ;-)

Descobrindo Puno

Janeiro 14, 2008

Definitivamente não foi amor à primeira vista. Puno foi me conquistando aos pouquinhos, uma pracinha aqui, um hotelzinho ali… A cidade é muito simples, e não tem mesmo grandes atrativos além de ser a principal porta de entrada para o turismo no lado peruano do Lago Titicaca. Como chegamos à cidade já perto do final da tarde e não teríamos mais a chance de fazer qualquer passeio pelo lago naquele dia, o jeito foi dar uma voltinha pela cidade e procurar os recantos que pudessem nos encantar. Por “recantos” valia qualquer coisa: lojinhas simpáticas, restaurantes acolhedores, pracinhas charmosas, o que fosse… ;-) Logo de saída, o que mais me surpreendeu foi que Puno não é uma cidade voltada para o lago, como Copacabana, onde o Titicaca é uma paisagem quase onipresente, quase inevitável; pelo contrário, em Puno o lago está sempre um pouco fora do alcance da vista, é preciso procurar por ele, ter o propósito de descobri-lo…   

A primeira visão que realmente me encantou foi a Catedral de Puno, em frente à Plaza de Armas:

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Logo adiante, chegamos à  principal rua de Puno, a Calle Lima. A Lima é, em boa parte de sua extensão, uma rua de pedestres onde há lojinhas, bancos, casas de câmbio, restaurantes, bares… Lá se concentra o movimento da cidade - que não é muito durante o dia, mas aumenta sensivelmente à noite, quando as pessoas já voltaram de seus passeios pelo lago e estão em busca de um restaurante gostoso para jantar ou de um barzinho onde espantar o frio…

De dia, a Calle Lima é assim:

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Mas à noite ela fica assim:

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Assim que o sol começou a baixar e o frio chegou, voltamos rapidinho pro hotel pra tomar um bom banho e vestir roupas mais apropriadas pra enfrentar o frio. Do mesmo modo que em Copacabana, quando o sol baixa a temperatura baixa junto, e as noites são mesmo congelantes…

Nessa noite, fomos conferir uma das dicas mais quentes de Puno: a Pizzeria El Buho, recomendada por praticamente todos os guias e sites de viagem. Não dava pra errar - afinal, pizza é boa mesmo quando é ruim… :lol: Logo percebemos que a El Buho é uma pizzaria freqüentada também pelos locais, o que, na minha opinião, faz qualquer restaurante ganhar uma estrelinha… E a El Buho, embora tenha demorado um pouquinho a aprontar o nosso pedido, não nos decepcionou!

O ambiente era muito aconchegante:

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E a pizza (ai, ai…) estava uma delícia… ;-)

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Hotel Conde de Lemos

Janeiro 12, 2008

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Quando o táxi nos deixou na porta do Hotel Conde de Lemos, resolvi zerar tudo o que tinha visto de Puno até então - nada de rodoviária, nada de ruazinhas feiosas… A idéia era começar do início e não pré-julgar a cidade que eu nem mesmo tinha tido a chance de experimentar. Na verdade, estava mesmo ansiosa (e um pouco receosa também) para saber a impressão que o hotel me causaria. Como eu tinha reservado todos os hotéis no Peru pelo mesmo site, o Go2Peru, e todos com descontos espetaculares, estava começando a me dar aquele friozinho na barriga, que traduzido quer dizer “será que fiz bobagem?!?” :roll:

O primeiro ponto alto do hotel foi o que tinha me levado a fazer a reserva - a localização praticamente perfeita. Situado a apenas uma quadra da Plaza de Armas (o centro de toda cidade de colonização espanhola), em frente a uma pracinha bem tranqüila e ao lado de uma escola (essa refletida na fachada do hotel), nós estávamos pertíssimo de tudo sem estar no meio da muvuca - e do barulho, claro…

Por outro lado, o hotel em si não era nada espetacular… O saguão era bastante convencional, a decoração até meio “pesadona”… Não que estivéssemos esperando alguma maravilha do design contemporâneo, pelo preço que estávamos pagando - US$ 35.00 o quarto duplo, contra uma tarifa-balcão de US$ 56.00. O café da manhã também era simples para os nossos padrões. De qualquer forma, tudo isso foi compensado pelo atendimento mais do que atencioso.  Os funcionários do hotel foram super agradáveis, cuidaram de todos os detalhes do passeio que queríamos fazer às Islas Flotantes de los Uros, do nosso transporte até o aeroporto de Juliaca dois dias depois… Enfim, simpáticos e competentes!

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Ainda na recepção, avistamos o cantinho do chá - faz parte da arte de bem receber os hóspedes, tanto na Bolívia quanto no Peru, oferecer um matecito de coca logo na chegada, para afastar qualquer ameaça de soroche. A essa altura, já estávamos mais do que aclimatadas - como chegamos por La Paz e rumamos em seguida para Copacabana, nossos destinos no Peru seriam sempre em altitude mais baixa do que já tínhamos enfrentado. De qualquer modo, o cantinho na recepção do hotel oferecia conforto para todos os males - chazinhos contra o soroche e um abrigo seguro em caso de terremoto… :P

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Subimos então para o nosso quarto e - que bom! - ele era bem espaçoso e até bonitinho… ;-) Além disso, recebia sol o dia inteiro e ficava aquecido o suficiente para que passássemos bem as noites sem a menor necessidade de calefação, um verdadeiro privilégio… 

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A nossa vista também era privilegiada: uma pracinha bastante bucólica atrás da Plaza de Armas:

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Primeira impressão do hotel? Aprovadíssimo! Agora era só fazer um primeiro reconhecimento da cidade para ver o que Puno nos reservava… ;)

Finalmente, o Peru!

Janeiro 10, 2008

 

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Mapa: Peru - Go to Latin

Finalmente, começamos então a parte peruana da nossa viagem. Com tantas atrações, o Peru sozinho seria capaz de preencher 1 mês inteiro de viagem… Como o nosso tempo se resumia a 10 dias, o jeito foi concentrar as atenções no que mais queríamos ver ou rever - escolhemos então Puno para a entrada, Cuzco e Machu Picchu como pratos principais e Lima de sobremesa… ;-)

Logo no início da tarde, tomamos um ônibus de linha na avenida principal de Copacabana, com destino a Puno, no Peru. A viagem não é longa, leva entre 2 e 3 horas, por estradas bastante tranqüilas, basicamente margeando o Lago Titicaca. Poucos quilômetros depois de Copacabana, chegamos à fronteira entre a Bolívia e o Peru, onde paramos para fazer o controle de passaportes e trocar algum dinheiro.  Cruzamos a fronteira a pé - do lado de cá, a Bolívia; após o arco, já estamos no Peru.

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Nosso ônibus era uma verdadeira Torre de Babel - sim, havia gente de todas as nacionalidades imagináveis, muitos conversando em línguas que eu não sabia nem mesmo identificar, e olha que eu sou boa nisso… ;-) Fiquei impressionada com o fluxo de turistas estrangeiros à Bolívia e ao Peru, e mais uma vez me perguntei se um dia vamos ter condições sócio-econômico-burocráticas de receber ao menos uma parte desse fluxo aqui no Brasil…

Em meio a essa Babel, calhou de sentarmos bem ao lado de um casal de brasileiros muito simpáticos, a Patrícia e o Rafael. Batemos papo com eles por boa parte da viagem, recomendamos o nosso hotel em Puno, dividimos o táxi até lá, mas depois perdemos contato. Não sei nem mesmo se eles afinal se hospedaram no mesmo hotel, porque não os vimos mais, infelizmente…

A primeira impressão que tivemos de Puno foi um tanto quanto decepcionante… :-( A entrada da cidade é bem feinha, e rodoviárias são irremediavelmente deprimentes em qualquer parte do mundo, creio eu… Isso, somado ao fato de que tínhamos deixado para trás o charme de Copacabana, pesou um pouquinho no meu otimismo, e tive medo de que Puno fosse se revelar uma roubada sem tamanho… Rodamos no nosso táxi por ruelinhas estreitas e tortuosas até chegar a uma praça, onde estava situado o nosso destino inicial - o Hotel Conde de Lemos Inn.

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