Nada se perde, tudo se transforma…

… em shopping!!!

Em Buenos Aires é assim – poucos são os shopping centers que foram construídos para ser shopping centers. Adoro essa idéia de “reciclagem arquitetônica” – acho, inclusive, que Buenos Aires poderia ser uma inspiração e tanto para outras cidades nesse aspecto… Vejamos: as Galerías Pacífico funcionavam como uma estação de trem; o Patio Bullrich era uma casa de leilões de gado; o Shopping Abasto era o antigo mercado de abastecimento da cidade… Uma vez ouvi dizer, mas não sei se é verdade, que as Terrazas do Buenos Aires Design Center são as antigas celas de um mosteiro – verdade ou não, a idéia seduz…

Mas, dentre todas essas reciclagens, a mais interessante, na minha opinião, é a transformação do antigo Cine Teatro Grand Splendid na filial da Librería Ateneo, a Ateneo Grand Splendid… Em uma crônica (“Os subterrâneos de Buenos Aires”), publicada no Globo de 30 de janeiro, descobri que o escritor João Paulo Cuenca compartilha o meu fascínio:

“Peço o terceiro café à garçonete sobre o proscênio de um antigo teatro, por trás de cortinas vermelhas entreabertas, sob o olhar de uma audiência de livros que lotam a platéia, os balcões e as galerias douradas do salão. Os volumes nos encaram pelas lombadas e ocupam diligentemente as prateleiras, organizados por ordem temática e alfabética. Sobre nós, anjos alados que escalam a cúpula do salão conversam silenciosamente, talvez questionando se os livros-espectadores são mais humanos que os leitores de carne e osso.

Essa inversão de lugares única no mundo (“eles”, os livros, na platéia, nós sobre o palco) se dá na gigantesca livraria El Ateneo Grand Splendid, na Avenida Santa Fé, em Buenos Aires, que funciona, como os leitores já devem ter notado, num teatro desativado. No que era o palco (onde, na década de 20, muitas vezes cantou Carlos Gardel) está instalado um café, onde os portenhos lêem, falam baixinho e comem sanduíches de miga ao som de um piano de notas vagas.”

6 Respostas to “Nada se perde, tudo se transforma…”

  1. Cecília Says:

    Estive lá, no carnaval/08. A livraria é uma coisa de louco. Linda!

  2. Carla Says:

    É mesmo maravilhosa, Cecília!

  3. bernardette amaral Says:

    Fiz uma viagem a Buenos Aires em abril e tinha lido o seu blog pouco antes de viajar, amei. consegui comprar os livros que voce citou e fiz uma viagem especial. Vou voltar em dezembro e como voce cada vez que vou e volto mais gosto dessa cidade. Em abril fiquei um mes com depressao pós -Buenos Aires. Eu tinha perdido o seu blog e estou desde a volta procurando, hoje achei e pude escrever o meu agradecimento. Acabei de ler os livros do Tomaz Eloi Martinez e comprei Buenos Aires Passo a Passo.

  4. Carla Says:

    Bem-vinda de volta, Bernardette! Tem bastante novidade sobre Buenos Aires por aqui – aproveite! E me conta: onde você conseguiu comprar o Buenos Aires Passo a Passo?

  5. Happy hour cultural « Idas e Vindas Says:

    […] Mas o ponto mais fascinante da livraria é o palco. Não foi uma idéia genial instalar um café no palco? E dar o nome a esse café de Café Impresso também não é fantástico? (Uma vez eu já falei de uma crônica do João Paulo Cuenca sobre o palco da Ateneo – clique aqui.) […]

  6. Carla Says:

    Queridos, este blog foi desativado e está fechado para comentários. Todos os posts e respectivos comentários foram transferidos para a nova casa do Idas & Vindas, em http://www.idasevindas.com.br . Aguardo lá a sua visita!

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